A questão do
documento arquivístico e a preservação digital
A compreensão arquivística da preservação digital parte do entendimento
dos limites e significados das características dos documentos arquivísticos:
imparcialidade, autenticidade, naturalidade, inter-relacionamento e unicidade.
A manutenção destas características é algo primordial ao se pensar em
preservação digital de documentos arquivísticos.
Toda e qualquer atividade ligada à gestão (eletrônica ou não) de
documentos deve garantir as especificidades dos documentos de arquivo, a fim de
que a contextualização documental, e a manutenção do valor probatório dela
recorrente, não se percam. (LOPEZ, 2004).
Luciana Duranti (1994) aborda a questão das características dos
documentos arquivísticos, conforme se apresenta no Quadro 1 abaixo.
Quadro
1 – Características dos documentos arquivísticos
Imparcialidade
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Os documentos
arquivísticos são imparciais porque trazem uma promessa de fidelidade aos
fatos e ações que manifestam e também ameaçam revelar fatos e atos que alguns
interesses não gostariam de ver revelados.
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Autenticidade
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Os documentos
arquivísticos são autênticos porque são criados, mantidos e conservados sob
custódia de acordo com procedimentos regulares, ou seja, rotinas que podem
ser comprovadas.
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Naturalidade
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A naturalidade diz
respeito à maneira como os documentos se acumulam no curso das transações de
acordo com as necessidades da matéria em pauta, são acumulados naturalmente
nos escritórios, nas instituições em função dos objetivos práticos da
administração.
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Inter-relacionamento
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O
inter-relacionamento ou organicidade corresponde ao estabelecimento das
relações entre os documentos no decorrer do andamento das transações e de
acordo com suas necessidades.
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Unicidade
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Unicidade corresponde
ao lugar único que cada registro documental assume na estrutura documental do
grupo ao qual pertence e também no universo documental.
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Alguns aspectos diferenciam a preservação
digital de documentos bibliográficos dos documentos arquivísticos. Os arquivos
não podem ser montados. São criados naturalmente pela própria dinâmica de
atividades do seu produtor. As relações existentes entre os documentos são,
portanto, essenciais para a recuperação e entendimento das informações que
foram registradas e armazenadas. (MÁRDERO ARELLANO, 2008).
Bibliografia
DURANTI,
Luciana. Registros documentais contemporâneos como provas de ação. Revista
Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.7, nº 13, jan/jun, 1994, p. 49-64.
LOPEZ,
André Porto Ancona. Princípios arquivísticos e documentos digitais. Arquivo Rio
Claro, Rio Claro, n. 2, p. 70-85, 2004. Disponível em: http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/1428/2/ARTIGO_PrincipiosArquivisticosDocumentosDigitais.pdf. Acesso em: 04 jan. 2013.
MÁRDERO
ARELLANO, Miguel A. Critérios para a preservação digital da informação
científica. 2008. 356 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação)-Universidade
de Brasília, Brasília, 2008. Disponível em:
http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/1518/1/2008_MiguelAngelMarderoArellano.pdf. Acesso em: 04 jan. 2013.
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